DEFENDER O INDEFENSÁVEL: SNAS E MDS BUSCAM DESTRUIR CONTROLE SOCIAL DO SUAS

No afã de defender a posição absurda de desconsiderar e refutar o caráter deliberativo das Conferências de Políticas Públicas e de Direitos, a SNAS/MDS apressa-se em tentar comprovar seu novo desastre e encomenda argumentos jurídicos por meio de Parecer do MDS e envia o documento para conhecimento do CNAS.

Não tem outra: os golpistas ora dão golpe no cravo, ora dão golpe na ferradura, e não encontram saídas para escapar ao ridículo da situação em que se colocaram, tornando-se matéria de zombaria (e preocupação) nacional.

Trata-se agora da tal vergonha alheia. Quem, há pouco tempo, defendia por todas as vias jurídicas e legais, o SUAS público e participativo, agora se volta contra o Sistema buscando brechas para dizer aquilo que o gestor quer ouvir: que não existe obrigatoriedade de cumprimento das deliberações das Conferências e que estas são, quando muito,  apontamentos e recomendações, blá, blá, blá…Está claro que as justificativas usadas no dito Parecer vem bem a calhar para os golpistas que não querem, de nenhuma forma, comprometer-se com a vontade popular e as deliberações da 11a Conferência Nacional de Assistência Social. 

Ora, façam-nos o favor! Respeito é bom e todos gostam e merecem! O povo não é bobo! 

Estamos diante de mais uma manobra política governista e fisiologista que busca destruir os sistemas estatais públicos pelas suas bases. A posição política da SNAS amparada por um Parecer jurídico retrógrado e antidemocrático, expressa o descumprimento de uma definição constitucional conforme o artigo 1o. da Constituição Federal que dispõe:“todo poder emana do povo por representação ou participação”. Quando não há respeito ao Estado Democrático de Direito cabe à sociedade civil buscar todos os mecanismos em defesa da democracia, da população, contra o Estado de exceção instalado!

São inúmeros os fundamentos jurídicos para refutar esse ultraje! CNAS, CEAS, CMAS, Fóruns, Trabalhadores, Entidades, Usuários não se deixarão enganar por mais uma tentativa de arruinar o controle social do SUAS, além das tantas que já vem ocorrendo! Vai ter luta!!!

#controlesocial #reagesuas #vivaosuas #snasgolpista #opovonãoébobo 

SNAS invalida e rejeita deliberações da 11a. Conferência Nacional

 

Em Reunião trimestral do CNAS com os Conselhos Estaduais de Assistência Social – CEAS realizada ontem, dia 12/ de março, em cuja pauta constou a avaliação da 11a. Conferência Nacional,  o MDS, por meio da Secretaria Nacional de Assistência Social –  SNAS  reconheceu oficialmente que …o governo não vê a Conferência Nacional como instância de deliberação, portanto não precisa cumprir deliberação nenhuma. A conferência é no máximo um instrumento de aconselhamento, recomendação e coisa desse tipo”.

Esta foi, em outros termos, a afirmação da  Secretária Maria do Carmo Brandt de Carvalho, da SNAS. E

Os CEAS presentes se posicionaram e protestaram contra tal absurdo, apenas mais um dos vários já cometidos por esta  lamentável administração golpista que a cada dia corrói o direito à Assistência Social tão duramente conquistado e construído. E que só trabalha para a deformação e derrocada do SUAS.

Força CEAS!! Força CMAS!! Força CNAS!!

O controle social está sendo desrespeitado de uma forma vil, direta e perigosa!! É hora dos CEAS e CMAS e sobretudo do CNAS mostrar FORÇA, INDIGNAÇÃO E AÇÃO contra esses golpistas que só se interessam em garantir a continuidade do golpe! 

#reagesuas
#foragolpistas
#vivaosuas
#conferenciadelibera
#controlesocial

 

 

A destruição dos direitos sociais é debate no 13o. Fórum Social Mundial

Na próxima quinta feira, dia 15 de março, será realizado Seminário no 13o. Fórum Social Mundial sobre as estratégias de destruição dos Direitos Sociais neste tempo do infame golpe em curso. O evento será no Campus Ondina da UFBA – Salvador.

A tônica será discutir sobre os rumos e contexto político da Seguridade Social, o tripé que garante direitos básicos a todo cidadão e cidadã brasileiro/a. A atividade tem o objetivo de apontar caminhos para a proteção social que queremos.

A ex- Ministra do MDS no Governo do Presidente Lula, Márcia Lopes, provocará o debate em torno dos desastres que se operam pelo atual Ministério na Assistência Social.

Veja a Programação, clicando aqui

por maissuas Postado em Post

AVANÇA O GOLPE CONTRA O CONTROLE SOCIAL DO SUAS!

Golpista não reconhece o controle social! Isto não é novidade! Mas este governo se supera em criar lambanças para prejudicar a Assistência Social e o Sistema Único de Assistência Social, confirmando o fato que o golpe planeja mesmo desbaratar todo o SUAS. 

Agora, os golpistas dificultam a realização das reuniões do CNAS e não reconhecem as deliberações da Conferência Nacional de Assistência Social. Sobre as deliberações da Conferência, a Secretária golpista da SNAS tem afirmado que são apenas “recomendações”. É o cinismo ao extremo! 

Quanto à não realização da Reunião Ordinária de fevereiro, os membros da sociedade civil do Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS lançaram Carta ABERTA repudiando mais este golpe e informando e solicitando manifestação da CIT. A Carta que segue abaixo e disponível para download.

Solicitamos que divulguem nos Conselhos e fiquem atentos e coesos na luta que é manter o controle social num governo antidemocrático! 

Clique para baixar:  CARTA ABERTA dos Conselheiros da Sociedade Civil do CNAS aos membros da CIT

CARTA ABERTA dos Conselheiros da Sociedade Civil do CNAS aos membros da CIT

Os representantes da Sociedade Civil no CNAS – Conselho Nacional de Assistência Social, empossados e legitimados, REPUDIAM a decisão do ministro Osmar Terra, do MDS – Ministério do Desenvolvimento Social, de NÃO realizar a 261a Reunião Ordinária de referido Conselho marcada para os dias 6, 7 e 8 de fevereiro de 2018, em Brasília/DF, convocada em 12.12.2017 pelo presidente de tal órgão, Fábio Moassab Bruni.

A “justificativa” do ministro foi a inexistência de empresa contratada para cumprir a logística relativa à aquisição de passagens dos Conselheiros residentes fora de Brasília e a informação de que o processo licitatório para tal finalidade demoraria até 180 dias, o que, na prática, impediria a realização das reuniões do CNAS marcadas para o primeiro semestre de 2018.

A vice-presidente do CNAS, Rosangela dos Santos, representante da Sociedade Civil, protocolou ofício/SEI no 1315608, ao ministro, em 23/01/2018, e requereu a reconsideração da sua decisão. Porém, até o momento, o ministro ainda não se dignou em sequer responder a provocação.

A não realização das reuniões mensais do CNAS, agendadas desde novembro de 2017 e cujo calendário foi publicado no Diário Oficial da União, impedirá o efetivo exercício do controle social das políticas públicas e a garantia de direitos dos cidadãos, previstos na Lei n. 8.742/93 (LOAS), e será duro golpe contra a democracia, sob argumento burocrático previsível decorrente de inércia operacional.

Além disso, a não realização das reuniões do CNAS, em decorrente de inacreditável e propositado desejo neste sentido por parte do ministro do MDS, impedirá que os Conselheiros se debrucem sobre o determinado pelo Tribunal de Contas da União, conforme consta do acórdão no 2404/17-Plenário (sessão de 25/10/2017) daquela Corte.

Não bastasse tudo isso, este ano será realizado o Processo Eleitoral da Sociedade Civil do CNAS, conforme consta do edital de 12.12.2017, DOU de 14.12.2017, que poderá ser inviabilizado diante da postura adotada pelo ministro Osmar Terra.

Os segmentos dos Usuários, Entidades e Trabalhadores, abaixo relacionados, estão se esforçando para fazer com que as reuniões agendadas sejam realizadas, para que não se perca nenhum direito e para que a consolidação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e o exercício pleno da cidadania e da participação Social sejam realidades incontestáveis.

Convidamos os membros da CIT a se posicionarem formalmente em prol da autonomia do CNAS e contra qualquer ação tendente a evitar que a representação da Sociedade Civil seja minimizada ou mesmo excluída da participação em tal órgão, visando manter os esteios da democracia em nosso país. Brasília, 30 de janeiro de 2018.

Edna Aparecida Alegro Representante da Federação Nacional das Associações Pestalozzi – FENAPESTALOZZI no CNAS
Rosangela Maria Soares dos Santos Representante do Fórum Nacional de Usuários do SUAS – FNUSUAS/PA e Vice Presidente do CNAS
Josenir Teixeira Representante do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – DF no CNAS
Elisa Maciel Costa Representante da Associação Internacional Maylê Sara Kalí – AMSK/Brasil no CNAS
Samuel Rodrigues Representante do Fórum Nacional da População em Situação de Rua no CNAS
Maria José Vasconcelos Barreto Carvalho Representante do Fórum Estadual de Usuários do SUAS de Sergipe –FEUSUAS/SE no CNAS
Carmem Lúcia Lopes Fogaça Representante da Organização Nacional de Entidade deDeficientesFísicos – ONEDEF no CNAS
Carlos Nambu Representante da Inspetoria São João Bosco – Salesianos no CNAS
Clodoaldo José Oliva Muchinski Representante da Fundação Fé e Alegria do Brasil no CNAS
Maurício José Silva Cunha Representante do Centro de Assistência e Desenvolvimento Integral – CADI no CNAS
Cleonice Caetano Souza Representante da União Geral dos Trabalhadores – UGT
Norma Sueli de Souza Carvalho Representante da Capemisa Instituto de Ação Social no CNAS
Silvia Regina Ramirez Representante da Fundação Projeto Pescar no CNAS
Benedito Augusto de Oliveira Representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social no CNAS
Luziana Carvalho de Albuquerque Maranhão Representante do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – CONFFITO no CNAS
Clátia Regina Vieira Representante da Federação Nacional dos Empregados em Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas – FENATIBREF no CNAS
Leovane Gregório Representante do Conselho Federal de Psicologia – CFP no CNAS

 

por maissuas Postado em Post

Valeu!

Foi massa!
Vamos continuar a Organizar, Lutar e Resistir junto com cada um/a de vocês.
Que venham tempos de esperança, conquistas e paz para todos/as!
B O A S  F E S T A S!!

 

 

por maissuas Postado em Post

Foi Massa!

Foi massa!
Vamos continuar a Organizar, Lutar e Resistir junto com cada um/a de vocês.
Que venham tempos de esperança, conquistas e paz para todos/as!
B O A S  F E S T A S!!

 

 

por maissuas Postado em Post

XÔ PRECONCEITO: USUÁRIO E USUÁRIA DO SUAS TEM DIREITO CONQUISTADO!

 

O Conselho Federal de Psicologia (CFP), por meio da Comissão Nacional de Psicologia na Assistência Social (CONPAS), junto ao Fórum Nacional das Usuárias e Usuários do SUAS (FNUSUAS), busca combater o preconceito e a criminalização das usuárias e usuários da Assistência Social.

O vídeo abaixo é resultado desta sensacional parceria:


O MaisSUAS parabeniza o Conselho Federal de Psicologia e o FNUSUAS pela iniciativa que deve ser muito socializada pelos trabalhadores, suas representações, entidades e gestores que defendem o direito à Assistência Social!!

Conheça o folheto explicativo da Campanha:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vamos compartilhar! Vamos espalhar nos CRAS e CREAS!! Nas entidades!! Nos Conselhos!!

#VIVAOSUAS
#VAITERLUTA
#DEFENDAOSUAS

CONSELHO MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL/SP DENUNCIA E REPUDIA AÇÃO DO GESTOR MUNICIPAL

 

*E* *NO* *APAGAR* *DAS* *LUZES* ….

Nós, representações legitimamente organizadas, à luz das Normas Constitucionais que asseguram a livre manifestação e a participação cidadã a partir do atual estado democrático de direitos, vimos publicamente manifestar nosso REPÚDIO à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social – SMADS, pela exoneração e transferência da trabalhadora Daiane Liberi do cargo de Secretária Executiva do Conselho Municipal de Assistência Social – COMAS/SP.

Em mais uma atitude arbitrária e irresponsável, tivemos a notícia dada ontem, pelo Departamento de RH da Smads, à trabalhadora, sob a alegação de que o Sr. Chefe de Gabinete, solicitou a devolução do cargo, bem como a transferência da mesma, sem nenhuma justificativa, e sem ao menos consultar e dar o devido conhecimento ao Conselho Diretor do COMAS.

É lamentável e digno de denúncia, o total desrespeito da atual gestão para com essa instância de controle social. Conselhos não são um braço estendido da gestão, onde se pode trocar, oprimir e aterrorizar sempre que existam discordâncias.

Conselhos são espaços democráticos, participativos e precisam ter respeitada sua condição de autonomia frente a qualquer que seja a gestão.

Quando a Smads troca a seu bel-prazer uma trabalhadora estratégica desse espaço, dá as costas para todo um acúmulo de conquistas democráticas asseguradas desde a promulgação da LOAS.

Mais que uma nota de repúdio essa é uma denúncia! Esse é um alerta a todo o povo da Cidade de São Paulo. Em nome de vaidades, com a sanha de demonstrar força, a atual gestão está fragilizando a principal instância de controle social desta política.

Essa denúncia  não tem nada a ver com “direita” ou “esquerda”. Trata-se de um posicionamento diante de um ato truculento, desrespeitoso e estabanado, para com um espaço democrático de funcionamento consolidado.

Nosso respeito à trabalhadora que incansavelmente faz suas jornadas longas de trabalho diário sempre de maneira exemplar, competente e dedicada exclusivamente a zelar pela Política de Assistência Social em nosso município!

Assinam esta Nota:

– Conselheiros da Sociedade Civil do COMAS – Gi Santana, Ricardo de Lima, Darlene Afonso, Fernanda Campana, Cleusa Almeida, Damaris Lacerda, Margareth Gouveia, Carlos Nambu, Sheila Cereja, Rosemeire Andrade.

– Fórum de Assistência Social da Cidade de São Paulo – FAS/SP

– Fórum das Entidades Beneficentes de Assistência Social – FEBAS

– Sindicato dos Empregados em Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas – SEIBREF

Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência e Educação à Criança ao Adolescente e à Família do Estado

Coletivo de servidores municipais em defesa do SUAS da Cidade de São Paulo.

 

por maissuas Postado em Post

País tem 7 milhões de pobres sem assistência social, diz FAO

Por Ligia Guimarães 

O número de famílias brasileiras extremamente pobres que não recebem nenhum tipo de assistência social aumentou em 2016, chegando a um total de 7 milhões de pessoas. A tendência preocupa a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e coloca o Brasil em sério risco de voltar a integrar o Mapa da Fome mundial, estudo que monitora os níveis de desnutrição em países em todo o mundo.

“Se o Brasil não voltar a crescer de forma sustentada e não tiver um revigoramento do mercado de trabalho, simultaneamente a uma correção nos valores de transferência de renda, corremos um risco de importante de voltarmos ao mapa da fome”, alerta José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO, que divulga o mapa desde 1990.

O Brasil saiu da “lista da fome” em 2014, quando, pela primeira vez, menos de 5% dos brasileiros consumiam menos calorias que o necessário para uma nutrição adequada, na avaliação da ONU. Para definir o Mapa da Fome, que a FAO prevê divulgar no ano que vem, o estudo calcula para cada país o indicador de “prevalência de desnutrição”, que considera o nível habitual de nutrição adequado para determinados grupos da população, expressos em calorias.Nos cálculos da organização, que é o principal órgão internacional de combate à fome no mundo, cerca de 2 milhões de famílias brasileiras sobreviviam no ano passado com menos de R$ 133,72 mensais por pessoa, mas não estavam entre os beneficiários do Bolsa Família e nem do Benefício da Prestação Continuada (BPC) naquele mesmo ano. O dado mais alarmante, na visão da FAO, é o aumento na porcentagem destas famílias extremamente pobres e sem assistência social, que subiu de 2,9% no primeiro trimestre de 2016 para 3,3% no quarto trimestre de 2016. O Ministério do Desenvolvimento Social alega que o número de desassistidos é menor, já que, na visão da pasta, o número de beneficiários do Bolsa Família e do BPC é subestimado na Pnad, do IBGE, que baseia os dados da FAO.

Graziano, agrônomo e doutor em economia e que chefiou a equipe que em 2001 elaborou o programa Fome Zero, diz que o aumento do desemprego e a elevação da pobreza extrema no país podem ter levado milhões de famílias a piorar sua segurança alimentar. Os casos mais graves, diz Graziano, estão nas regiões metropolitanas e rurais do Brasil.

A FAO defende que, em tempos de recessão econômica como o atual, quando a necessidade das famílias aumenta, é justamente quando o governo precisa elevar os investimentos nos programas sociais para proteger a parte mais vulnerável da população. “Não é só o tema da alimentação. Os gastos sociais do governo são muito importantes: as pessoas são muitas vezes pobres porque não têm acesso aos bens comuns, como saúde, educação – e não podem pagar por eles”, diz. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: O Brasil corre o risco de voltar ao Mapa da Fome?

José Graziano da Silva: A fome no Brasil está relacionada ao crescimento econômico, ao nível de emprego e do salário mínimo e às políticas de transferência de renda. É preocupante, no caso brasileiro, o aumento do desemprego, decorrente do baixo nível de crescimento. Nesse contexto, se o Brasil não voltar a crescer de forma sustentada e não tiver um revigoramento do mercado de trabalho, simultaneamente a uma correção nos valores de transferência de renda, corremos um risco de importante de voltarmos ao mapa da fome. De acordo com informação recente do IBGE, o Brasil voltou a crescer. É preciso ver se isso será suficiente para reverter a tendência e gerar empregos formais.

“Se o Brasil não voltar a crescer de forma sustentada, corremos risco importante de voltarmos ao mapa da fome”

Valor: Além do desemprego, o que influencia o aumento da fome?

Graziano: É preciso destacar a questão da concentração de renda. Como sabemos, o Brasil apresenta, historicamente, elevado grau de desigualdade. De acordo com os mais recentes dados da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, e segundo os estudos do professor Rodolfo Hoffmann, houve uma significativa redução da desigualdade entre 1998 e 2014, mas essa tendência não se verificou em 2015. A desigualdade na distribuição da renda domiciliar per capita permaneceu praticamente a mesma em relação a 2014, enquanto o nível de desigualdade entre as pessoas economicamente ativas avançou.

Valor: Há algum estudo em andamento sobre a fome pela FAO? Quando haverá novo mapa?

Graziano: É importante primeiramente lembrar que o mapa da fome da FAO utiliza como fonte de seus dados a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), que atualmente está a campo e deve ser concluída em maio de 2018. Quando os resultados da nova POF estiverem disponíveis, a FAO poderá recalcular a posição do Brasil. Em todo caso, a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) que figurou pela última vez na Pnad 2013, apontou que dois terços das famílias pobres e metade das famílias em situação de extrema pobreza estavam mais sujeitas à insegurança alimentar e nutricional. Isso nos faz presumir que o crescimento da pobreza e extrema pobreza entre 2014 e 2015, em razão do aumento do desemprego, pode ter levado milhões de famílias a uma piora da sua segurança alimentar.

Valor: Quais números preocupam mais a FAO?

Graziano: De acordo com os dados da mais recente PNAD Contínua do IBGE divulgados em novembro, o desemprego da população ativa no último trimestre é de 12,2% – ou mais de 12 milhões de pessoas. Esse número, que é maior em relação ao mesmo período em 2016, representa uma tendência de aumento que tem se verificado ano a ano pelo menos desde 2014. O aumento do desemprego tem afetado particularmente regiões metropolitanas e rurais, ocasionando uma considerável redução do poder aquisitivo. Aliado à redução dos programas de proteção social, isso se torna uma variável que pode afetar muito o desempenho da segurança alimentar. Especialistas da FAO, analisando a última Pnad contínua de 2016, constataram que cerca de 2 milhões de famílias brasileiras – abrangendo mais de 7 milhões de pessoas – estão em condição de extrema pobreza, mas não estavam entre os beneficiários do Bolsa Família e nem do Benefício da Prestação Continuada (BPC) naquele mesmo ano. De forma ainda mais preocupante, a porcentagem destas famílias extremamente pobres e sem assistência social subiu de 2,9% no primeiro trimestre de 2016 para 3,3% no quarto trimestre de 2016. Há uma preocupação com os efeitos de uma aparente piora da situação econômica no país, e sobretudo do aumento do desemprego. Mas a FAO não tem ainda dados concretos sobre isso para 2017. O que posso dizer é que seguiremos acompanhando com atenção o caso do Brasil, como de vários outros países na região e no mundo.

“Quando há recessão econômica, propõe­-se aumentar os investimentos nos programas sociais”

Valor: Como a FAO tem visto a gestão do Bolsa Família? O governo diz estar eliminando irregularidades, mas aumentam os relatos de pessoas em necessidade. Não há o risco de se estar cortando de quem vive um pouco acima da linha de pobreza, mas ainda é pobre?

Graziano: Prefiro ainda não me manifestar sobre o assunto até que tenhamos dados mais concretos. O que sabemos é que as pessoas beneficiárias do Bolsa Família estão no limiar da pobreza absoluta – entre os pobres e os extremamente pobres. E essa linha de pobreza é muito flutuante: uma pessoa que tem um emprego temporário e que está acima da linha de pobreza pode passar para baixo dessa linha se perder ou se não continuar com essa atividade. Esse é o caso dos trabalhadores volantes na colheita de produtos agrícolas em muitas partes do Brasil: na época das safras, estão acima da linha; na entressafra, estão abaixo da linha. A recomendação é que haja certa flexibilidade com essas famílias: elas, na verdade, deixam de ser extremamente pobres apenas temporariamente, permanecendo no limiar da pobreza até que consigam desempenhar um trabalho de qualidade e com segurança.

Valor: Qual deveria ser a política social para evitar a fome?

Graziano: Nossa recomendação é sempre de políticas anticíclicas: quando há recessão econômica, propõe-se aumentar os investimentos nos programas sociais. Não é só o tema da alimentação. Os gastos sociais do governo são muito importantes: as pessoas são muitas vezes pobres porque não têm acesso aos bens comuns, como saúde, educação – e não podem pagar por eles.

Valor: Se o Brasil voltar ao mapa da fome, o que isso significa? Exige mudanças de rumo? Há implicações oficiais? A ONU toma algum posicionamento em relação ao governo?

Graziano: O mapa da fome é um indicativo da fragilidade da segurança alimentar dos países. Não há nenhuma sanção a ser aplicada por parte da ONU. Trata-se de um acompanhamento contínuo. Quando os dados do relatório Estado da Insegurança Alimentar no Mundo (SOFI, na sigla em inglês) saírem, em setembro de 2018, estaremos, na verdade, retratando a realidade do ano anterior, de 2017. E, nesse caso, muitas vezes já há situações de insegurança alimentar instaladas em certos países, incluindo pessoas que estão passando fome. Quando nos deparamos em casos de insegurança alimentar grave, e isso ocorre na maior parte das vezes nos países da África, bem como em países em outras regiões como o Iêmen, Haiti ou Coreia do Norte, nossa recomendação é não apenas aumentar a produção de alimentos, mas também o acesso a esses alimentos.

Valor: Em quais regiões do Brasil há mais pessoas passando fome?

Graziano: Não temos esses indicativos mais recentes. Tradicionalmente as regiões em que há fome no Brasil são as zonas rurais do Nordeste e da Amazônia. No Brasil, algumas das grandes regiões metropolitanas têm se destacado pela insegurança alimentar Essas regiões também têm apresentado grande aumento em outras formas de má nutrição, como a obesidade. O consumo de alimentos rápidos, baratos e ricos em açúcares e gorduras, tem se tornado uma tendência nos meios urbanos. Isso é preocupante, porque envolve uma questão séria de saúde pública, já que a obesidade leva ao aumento da propensão à hipertensão, doenças cardiovasculares e diabetes.

Fonte: http://mobile.valor.com.br/brasil/5230255/pais-tem-7-milhoes-de-pobres-sem-assistencia-social-diz-fao?origem=G1&utm_source=g1.globo.com&utm_medium=referral&utm_campaign=materia

Matérias relacionadas: http://www.valor.com.br/brasil/5230251/campanha-natal-sem-fome-e-retomada-apos-dez-anos

por maissuas Postado em Post