3o. Ciclo de debates sobre O FUTURO DA SEGURIDADE SOCIAL NO BRASIL 

Será realizado, em Florianópolis, o 3o. Ciclo de debates sobre O FUTURO DA SEGURIDADE SOCIAL NO BRASIL.

Trata-se de um evento solicitado pela Deputada Federal Angela Albino (PC do B – SC), membro da COMISSÃO DE LEGISLAÇÃO PARTICIPATIVA  – CLP da Câmara Federal.

O evento se realizará no dia 01/12 às 18:30 na UFSC AUDITÓRIO DO CENTRO SOCIOECONÔMICO.

PAUTA DE REUNIÃO 

DIA 01/12/2016

LOCAL: Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC – Auditório do CSE 

HORÁRIO: 18h30min

3º Ciclo de Debates

Tema: O FUTURO DA SEGURIDADE SOCIAL NO BRASIL

Expositores:

Deputado Chico Lopes – Presidente da Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados.

Deputada Federal Ângela Albino – Membro da CLP

Grazieli David – Membro do Colegiado doInstituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
Dra. Tânia Regina Krüger – Professora Adjunta da Universidade Federal de Santa Catarina
Sr. Jorge dos Passos Corrêa Cobra – Presidente do Conselho Estadual de Saúde
Sra. Vânia Maria Machado – Presidente do Conselho Estadutal de Assistêncial Social de Santa Catarina
Sr. Sidnei Bellé – Presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Santa Catarina
Sr. Luciano Wolffenbüttel Veras – Representante da Auditoria Cidadã da Dívida.

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Saiba mais sobre a PEC 241

Com #Lula e #Dilma, o salário mínimo no Brasil foi valorizado ano a ano e teve um aumento real de mais de 77%. #DigaNãoÀPEC241

Trabalhadores e trabalhadoras do SUAS, entidades, usuários e movimentos: rumo ao dia 22! Rumo à paralisação nacional!

Mensagem da Frente Brasil Popular

Circular 34_2016: Paralisação Nacional* 
Companheiros e companheiras,
O golpe está em marcha e avança sobre a soberania nacional e os direitos sociais e trabalhistas do povo brasileiro. Temos feito grandes e expressivas mobilizações por todo o Brasil contra o golpe, contra o ataque a Democracia e contra o governo ilegítimo e suas medidas antinacionais e anti-povo. Estamos convictos da *necessidade de realizarmos uma grande e decisiva paralisação nacional no próximo dia 22 de Setembro em todo país* para elevar o patamar da luta. 

Em reunião nacional da FRENTE BRASIL POPULAR com a participação de mais de cem companheiros de todos os movimentos populares, e correntes partidárias. Os companheiros da CUT E CTB presentes e outros sindicalistas de base, reafirmaram a deliberação da PARALISAÇÃO NACIONAL dos trabalhadores para o dia 22 de Setembro, e da importância de ser uma paralisação efetiva em todo pais, criando as condições para a Greve Geral.  

Dos nossos debates políticos, depreendeu-se que é urgente e necessário jogar todo esforço possível na realização dessa paralisação. Que é necessário parar a produção, a circulação, o transporte das riquezas e de pessoas, no maior número possível de cidades, terminando no final do dia, com atos de protesto para expressar nossa indignação e não aceitação do golpe nem do retrocesso civilizatório que querem nos impor.

Essa é a hora de darmos uma demonstração de força e barrarmos o plano neoliberal dos golpistas, que querem jogar todo peso da crise sobre as costas da classe trabalhadora retirando direitos. Vociferam sem nenhum pudor, na imprensa burguesa seus planos de aumento da jornada de trabalho, de retirar férias, 13º. salário, de privatizar a previdência, rasgando a CLT e a Constituição de 1988.

É preciso barrar esse governo golpista e ilegítimo e defender nossos direitos. Para isso, precisamos motivar a classe trabalhadora a se engajar, paralisando suas atividades. Aumentar o nível de consciência da classe. E usarmos todos os meios possíveis, seja na imprensa popular, nas rádios comunitárias, com pichações e formas culturais.

Devemos estimular a que cada comitê da FRENTE BRASIL POPULAR esparramados pelo pais, discuta e se prepare para paralisar as atividades em seus espaços de trabalho, nas escolas, municípios, etc.

Conclamamos a todos e todas a se engajarem, a priorizarem a preparação dessa jornada. Para organizar a militância nas ações do dia 22, sugerimos que os estados convoquem plenárias estaduais da Frente. 

Sabendo que o sucesso dessa jornada, será uma forma de ir esquentando os tamborins, para logo mais realizarmos uma GRANDE GREVE GERAL, que de fato enfrente o governo golpista e seu plano neoliberal.

Além de Paralisação Nacional, deliberamos por realizar uma *Plenária Nacional da Frente Brasil Popular a ser realizada nos dia 26 e 27 de Novembro*, reunindo em torno de 200 representantes de movimentos e estados, para debatermos os rumos da Frente. Com esta indicação a II Conferência da FBP, inicialmente marcada para Novembro será adiada. É fundamental que os estados já se organizem para viabilizar a ida de seus representantes.

Por fim, *apontamos para o dia 10 de Outubro, em São Paulo a próxima reunião do Coletivo Nacional da Frente Brasil Popular*. 

Pedimos que essa circular seja enviada para todos os militantes, instancias e movimentos que participam de nossa articulação.

Vamos à luta companheiros e companheiras

*Fora Temer*
*Nenhuma Direito a Menos*

Secretaria Operativa da Frente Brasil Popular

Chamada  da Frente Mineira. @leo_koury

Fórum Nacional de Usuários chama controle social a resistir ao desmonte do SUAS!

Fórum Nacional de Usuários do SUAS – FNUSUAS – critica ações de desmontes da política de Assistência Social e chamam atenção para os riscos que atingem diretamente os usuários: programas dispersos e politiqueiros, exoneração de servidores qualificados da SNAS, alteração em serviços e benefícios socioassistenciais.
Saiba mais:
CNAS: pautado ao invés de pautar?

MEC sentencia o fim do PRONATEC! Mais um ataque fatal do governo golpista!

Ao não assinar acordo anunciado por Dilma, em março, com o sistema S, parceiro fundamental para realização do programa, Mendonça Filho sentenciou o fim do Pronatec. A pactuação anunciada pela presidenta eleita previa a abertura de 2 milhões de novas vagas e a existência de 300mil vagas especiais para estudantes do EJA (educação de jovens e adultos).

Por Danilo Molina

Jornalista, foi assessor do Ministério da Educação e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) durante o governo Dilma Rousseff e servidor do Ministério durante o governo Lula

27 de Julho de 2016

Famoso filme da década de 80 “Apertem os cintos… O piloto sumiu!”, comédia pastelão dirigida por Jim Abrahams e pelos irmãos David e Jerry Zucker, retrata situação em que os tripulantes de um voo, que iria de Los Angeles para Chicago, descobrem que, após o jantar, o piloto e o copiloto estavam inconscientes. Enquanto no filme, o desespero dos tripulantes e passageiros vira comédia, no Brasil dos golpistas, o sonho de milhares de brasileiros se tornou um pesadelo da vida real.

Em um Ministério da Educação pilotado por um comandante capaz de publicar nas redes sociais uma citação falsa de um dos maiores poetas da língua portuguesa, Carlos Drummond de Andrade, o rumo parece ser do maior desmonte da educação brasileira dos últimos 30 anos. Os brasileiros, verdadeiros passageiros da agonia, são obrigados a conviver com uma nova realidade, na qual as oportunidades, abertas pelos programas de inclusão dos governos Lula e Dilma Rousseff, estão fechadas.

Em pouco mais de dois meses, os desmontes na educação, promovidos pelo piloto Michel Temer e pelo copiloto Mendonça Filho, envolvem o corte de 90 mil vagas no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), o congelamento de vagas de graduação no Ciência Sem Fronteiras e o fim do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa. A intenção de mudar o modelo de partilha do Pré-Sal, reduzindo os recursos do Fundo Social que previa 75% para educação, e a Proposta de Emenda à Constituição que congela as verbas públicas para a educação pelos próximos 20 anos são os principais combustíveis que alimentam a aeronave Brasil, conduzida por Temer e Mendonça.

Outro aspecto grave, com impacto direto na formação de milhares de trabalhadores brasileiros, é o fim do exitoso Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (Pronatec), que, entre 2011 e 2015, registrou mais de 9,4 milhões de matrículas. Trata-se de um programa prioritário capaz de dar um salto de qualidade na indústria nacional.

O sucesso do Pronatec é uma realidade e já se materializou no desempenho da delegação brasileira na maior competição para estudantes da educação profissional e tecnológica do mundo, a WorldSkills 2015, realizada em São Paulo. Na ocasião, a delegação brasileira conquistou 11 medalhas de ouro, dez de prata e seis de bronze e 18 certificados de excelência. Das 27 medalhas, 25 foram de estudantes do Pronatec, incluindo todas as medalhas de ouro. Concorreram no WordSkills 1.189 participantes de 59 países.

Ao não assinar acordo anunciado por Dilma, em março, com o sistema S, parceiro fundamental para realização do programa, Mendonça Filho sentenciou o fim do Pronatec. A pactuação anunciada pela presidenta eleita previa a abertura de 2 milhões de novas vagas e a existência de 300mil vagas especiais para estudantes do EJA (educação de jovens e adultos).

Em tempos de crise, com o Brasil tendo mais de 11 milhões de desempregados, a associação entre formação profissional de mão de obra e a conclusão do ensino médio poderia resultar em um reposicionamento dessas pessoas no mercado de trabalho. Entretanto, as matrículas para o Pronatec, previstas para o dia 15 de maio, foram suspensas e, até agora, não há sinais de quando ou se serão retomadas.

No filme de Abrahmas e dos irmãos Zucker, a tripulação consegue aterrissar o avião de forma segura, mesmo depois de um peixe estragado incapacitar a maioria dos tripulantes e passageiros. No Brasil dos golpistas, o que está entalado na garganta de milhares de brasileiros é a receita do desmonte de oportunidades oferecida pelo comandante do Ministério da Educação.

Longe de ser uma comédia, a atual gestão do Ministério da Educação é uma verdadeira tragédia. O roteiro traçado pelo comandante Mendonça Filho e o ator e diretor Alexandre Frota, adepto do projeto Escola Sem Partido, resulta em um filme de terror para a educação brasileira. Portanto, apertem os cintos… O Pronatec sumiu!

 

Fonte: http://www.brasil247.com

População vulnerável é a meta de Temer e seu projeto ultraliberal

Pacote proposto pelo ministro da Fazendo representa o maior desmonte da Constituição desde 1988As medidas de Henrique Meirelles golpeiam a população vulnerável:Para economista, governo Temer não tem programa econômico, só discurso ideológico

Por Carlos Drummond, Da Carta Capital


O pacote anunciado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, na terça-feira 24 encaminha o desmonte da economia brasileira, com maior ímpeto naqueles setores voltados ao desenvolvimento do País, à proteção da parcela mais frágil da população e à elevação do nível de vida da maioria.

O outro lado da dilapidação é a reconstituição de parte das condições oferecidas na década de 1990 ao capital privado nacional e estrangeiro, na esteira do Consenso de Washington, de exigências do Banco Mundial, do FMI e do neoliberalismo, uma das causas da crise mundial de 2008, até hoje não superada. Um período de intensa privatização, política de FHC retomada pelo atual governo segundo anteciparam assessores do presidente interino Michel Temer. 

De volta à ditadura

Risco de desintegração social com Temer preocupa intelectuais. “São providências exclusivamente fiscalistas e isso, num primeiro momento, não ajuda a retomada da economia, nem no curto nem no médio prazo”, analisa Mário Bernardini, diretor de Competitividade da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos.

Para o executivo, medidas fiscais são necessárias, mas poderiam ser acompanhadas de uma redução de 3 pontos porcentuais na Selic, hoje em 14% ao ano. “Seria uma boa sinalização, perfeitamente viável, pois a inflação cairá de 10% para 7% este ano e os juros reais continuariam em 4%, uma loucura no mundo de hoje. Poderiam também liberar um pouco do depósito compulsório para os bancos, vinculado à concessão de capital de giro para as empresas.” 

Segundo Meirelles, a antecipação do recebimento de 100 bilhões de reais em empréstimos concedidos ao BNDES com vencimento em 2060, um dos itens do pacote, não afeta investimentos. “Isso é conversa para boi dormir, é claro que afetará. Ele e sua turma estão preocupados apenas com o caixa, o resto que se dane”, diz o diretor da Abimaq. Contrabalançar o poder da Fazenda com a indicação de um ministro do Planejamento de visão mais sistêmica seria uma alternativa, mas o nome provavelmente passaria pelo crivo do chefe da equipe econômica do governo. “O Meirelles está virando primeiro-ministro e ele é fraco para isso, é um bancário e entende de caixa, só.”

Uma das medidas mais abrangentes é a limitação permanente do crescimento do gasto público à dotação orçamentária corrigida pela inflação passada. “Representa o desmonte da proteção social prevista pela Constituição de 1988, pois é incompatível com a expansão e mesmo a manutenção de serviços públicos básicos e de caráter universal”, avalia o economista Pedro Rossi, da Unicamp.

As taxas anuais médias do crescimento real do gasto primário no segundo governo FHC, nos dois mandatos de Lula e no primeiro de Dilma foram 3,9%, 5,2%, 5,5% e 3,8% e garantiram a prestação de serviços públicos, programas sociais e seguridade. “A transição para um crescimento real nulo do gasto público requer um arrocho fiscal enorme, impossível sem uma grande desvinculação de gastos constitucionais.” 

O congelamento em valores reais dos orçamentos da educação e da saúde afetará todos aqueles dependentes desses serviços públicos, com maiores danos à parcela mais pobre da população. “Ganham os menos dependentes dos serviços públicos, avessos a financiá-los com impostos e os grupos econômicos que enxergam o Estado como concorrente e desejam apropriar-se dos espaços econômicos na saúde, na educação, e drenar a renda dos trabalhadores para fundos de previdência e escolas privadas”, aponta Rossi.

Sem um calendário de implantação, o pacote mostra grande agilidade, entretanto, na revisão dos recursos destinados aos mais frágeis. O Ministério do Planejamento definiu como tema da primeira reunião do Comitê Interministerial de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas Federais na atual gestão, terça-feira 31, a discussão do decreto de revisão dos benefícios de prestação continuada e a definição de novos critérios de admissão.

O programa abrange idosos com ao menos 65 anos e deficientes de famílias com renda inferior a um quarto do salário mínimo por integrante. Até 16 de junho, outras reuniões rediscutirão o auxílio-doença, o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), o Bolsa Família e a Farmácia Popular. Entre as instituições convidadas a participar figuram ministérios, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, a Controladoria-Geral da União e um velho conhecido, muito influente no País nos anos 1990, o Banco Mundial.

A parcela mais vulnerável da sociedade é o alvo principal também da reforma da Previdência, indispensável, segundo o governo, por causa do tamanho do déficit do setor, de 146 bilhões de reais, equivalentes a 85% do déficit total de 170,5 bilhões para este ano, aprovado pelo Congresso no dia seguinte ao do anúncio das novas medidas. Um rombo falso, evidenciam cálculos de diversos especialistas. Entre 2007 e 2015, computadas todas as receitas e as despesas estabelecidas pela Constituição, houve superávits anuais entre 20 bilhões e 77 bilhões de reais, mostra um estudo da economista Denise Gentil, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 

Um ajuste radical das contas públicas, do tipo aplicado pelo ex-ministro Joaquim Levy, estaria descartado, na análise da economista. “Não haverá o aperto fiscal exigido de Dilma, porque em ciclo eleitoral não se faz isso. Tanto é assim que o déficit deste ano ficará em torno de 170 bilhões. O governo Temer culpará Dilma, mas o fato é que não despejará o saco de maldades de forma integral”, prevê a economista. “Eles tentarão, entretanto, passar a reforma da Previdência. Isso faz parte de uma estratégia de poder que reúne estado e bancos. É o avanço do processo de financeirização dos serviços públicos.”

Todas as medidas prejudicam de algum modo a população. O emprego será a principal vítima da proibição de criar ou renovar subsídios, uma decisão linear que atinge em cheio o Cartão BNDES e o Finame, fontes dos únicos financiamentos com custo viável para o investimento produtivo das empresas pequenas ou médias. Sem o crédito, os estabelecimentos optarão pela compra de títulos do Tesouro, com maior taxa de retorno, ou fecharão as portas.  

O fim da participação obrigatória da Petrobras no pré-sal, fonte de recursos estratégicos para a área da educação, entre outras destinações, aproveita a conjuntura difícil do setor petrolífero mundial e da estatal para encaminhar a abertura das reservas ao capital estrangeiro, interessado em explorá-las por serem as de menor custo e com maior lucratividade no mundo. Seria a dilapidação da maior riqueza do País, detentor também da tecnologia mais avançada de exploração do petróleo em águas profundas. A extinção do Fundo Soberano e o saque do saldo de 2 bilhões de reais vão na mesma direção, de eliminar um instrumento estratégico para atender a objetivos de curto prazo. 

A fixação de regras para a nomeação de dirigentes de fundos de pensão e estatais teria como principal objetivo cercear o acesso de representantes de trabalhadores. A deliberação parte do pressuposto, falso e preconceituoso, da imunidade de outros nomeados a erros e malfeitos.

“Eles tentam implantar o projeto ultraliberal desde os anos 1990 e o impeachment é a grande oportunidade histórica, pois chegaram ao poder sem o voto popular e sabem que um programa desse tipo dificilmente teria a aprovação das urnas”, conclui o economista Eduardo Fagnani, da Unicamp. “É como se tentassem refazer o pacto social sem a participação da sociedade. Trata-se de um ato ilegítimo e autoritário. Esse tipo de proposta não passaria em nenhum pleito eleitoral”, completa Rossi. 

Fonte: http://boo-box.link/2BFLZ Carta Capital

Desordem e retrocesso: #foratemer assina o mais duro pacote antissocial deste século

Michel Temer age com muita sede ao pote e sacrifica, sobretudo, os mais pobres. O arrocho de Dilma Rousseff, comparado ao do presidente interino, passará à história como arrochinho

Ainda sem aumento de impostos e cortes diretos de despesas, o presidente em exercício, Michel Temer, anunciou um limite de gastos públicos. A medida afeta diretamente as áreas sociais, como saúde e educação.
A ideia é que em 2017, o Estado só possa gastar um valor fixo. A única flexibilidade será o adicional da inflação no período.

A medida será viabilizada por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), a ser enviada ao Legislativo nas próximas semanas. São necessários dois terços dos votos de cada Casa para a proposta passar.

Hoje, a Constituição determina a destinação de um percentual obrigatório da arrecadação de tributos para Saúde e Educação.

Para a presidente afastada Dilma Rousseff, as medidas de Temer representam ‘desordem e retrocesso’ na educação. Segundo ela, se as propostas de Temer tivessem sido adotadas nos últimos dez anos, prejuízos para a educação seriam da ordem de R$ 500 bilhões.

“Pra você ter uma ideia, se tivesse sido adotada nos últimos dez anos de governo Lula e Dilma, a medida proposta de reajustar os recursos para educação e saúde pela inflação do ano anterior, nós teríamos tido uma perda da ordem de R$ 500 bilhões. Portanto, se for adotada será o maior retrocesso da história da educação brasileira desde a constituição de 1988”, afirmou Dilma.

Para o jornalista Mário Magalhães, do portal UOL, o pacote de Temer é “o mais duro pacote antissocial do século 21” o anúncio de medidas feito pelo presidente interino Michel Temer e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

“Como previsto, o arrocho de Dilma Rousseff, comparado ao que o sucedeu, passará à história como arrochinho. Mantendo o tom dessas duas semanas de governo, Temer vai com muita sede ao pote, sacrificando sobretudo os mais pobres”, afirmou.

“O pacote ataca por todos os cantos, sem poupar frentes e vítimas. À sua maneira, estimula confrontos, atiça conflitos, provoca quem perde com ele. Arrochos dessa natureza pressupõem força”, acrescentou.

Fonte e artigo original: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/05/michel-temer-assina-o-mais-duro-pacote-antissocial-deste-seculo.html

Enquanto a corrupção assombra o Temer, caem as máscaras dos movimentos pró-impeachment

viral-540x359Por Glenn Greenwald

O impeachment da presidente do Brasil democraticamente eleita, Dilma Rousseff, foi inicialmente conduzido por grandes protestos de cidadãos que demandavam seu afastamento. Embora a mídia dominante do país glorificasse incessantemente (e incitasse) estes protestos de figurino verde-e-amarelo como um movimento orgânico de cidadania, surgiram, recentemente, evidências de que os líderes dos protestos foram secretamente pagos e financiados por partidos da oposição. Ainda assim, não há dúvidas de que milhões de brasileiros participaram nas marchas que reivindicavam a saída de Dilma, afirmando que eram motivados pela indignação com a presidente e com a corrupção de seu partido.

Mas desde o início, havia inúmeras razões para duvidar desta história e perceber que estes manifestantes, na verdade, não eram (em sua maioria) opositores da corrupção, mas simplesmente dedicados a retirar do poder o partido de centro-esquerda que ganhou quatro eleições consecutivas. Como reportado pelos meios de mídia internacionais, pesquisas mostraram que os manifestantes não eram representativos da sociedade brasileira mas, ao invés disso, eram desproporcionalmente brancos e ricos: em outras palavras, as mesmas pessoas que sempre odiaram e votaram contra o PT. Como dito pelo The Guardian, sobre o maior protesto no Rio: “a multidão era predominantemente branca, de classe média e predisposta a apoiar a oposição”. Certamente, muitos dos antigos apoiadores do PT se viraram contra Dilma – com boas razões – e o próprio PT tem estado, de fato, cheio de corrupção. Mas os protestos eram majoritariamente compostos pelos mesmos grupos que sempre se opuseram ao PT.

É esse o motivo pelo qual uma foto – de uma família rica e branca num protesto anti-Dilma seguida por sua babá de fim de semana negra, vestida com o uniforme branco que muitos ricos  no Brasil fazem seus empregados usarem – se tornou viral: porque ela captura o que foram estes protestos. E enquanto esses manifestantes corretamente denunciavam os escândalos de corrupção no interior do PT – e há muitos deles – ignoravam amplamente os políticos de direita que se afogavam em escândalos muitos piores que as acusações contra Dilma.

Claramente, essas marchas não eram contra a corrupção, mas contra a democracia: conduzidas por pessoas cujas visões políticas são minoritárias e cujos políticos preferidos perdem quando as eleições determinam quem comanda o Brasil. E, como pretendido, o novo governo tenta agora impor uma agenda de austeridade e privatização que jamais seria ratificado se a população tivesse sua voz ouvida (a própria Dilma impôs medidas de austeridade depois de sua reeleição em 2014, após ter concorrido contra eles).

Depois das enormes notícias de ontem sobre o Brasil, as evidências de que estes protestos foram uma farsa são agora irrefutáveis. Um executivo do petróleo e ex-senador do partido conservador de oposição, o PSDB, Sérgio Machado, declarou em seu acordo de delação premiada que Michel Temer – presidente interino do Brasil que conspirou para remover Dilma – exigiu R$1,5 milhões em propinas para a campanha do candidato de seu partido à prefeitura de São Paulo (Temer nega a informação). Isso vem se somar a vários outros escândalos de corrupção nos quais Temer está envolvido, bem como sua inelegibilidade se candidatar a qualquer cargo (incluindo o que por ora ocupa) por 8 anos, imposta pelo TRE por conta de violações da lei sobre os gastos de campanha.

E tudo isso independentemente de como dois dos novos ministros de Temer foram forçados a renunciar depois que gravações revelaram que eles estavam conspirando para barrar a investigação na qual eram alvos, incluindo o que era seu ministro anticorrupção e outro – Romero Jucá, um de seus aliados mais próximos em Brasília – que agora foi acusado por Machado de receber milhões em subornos. Em suma, a pessoa cujas elites brasileiras – em nome da “anticorrupção” – instalaram para substituir a presidente democraticamente eleita está sufocando entre diversos e esmagadores escândalos de corrupção.

Mas os efeitos da notícia bombástica de ontem foram muito além de Temer, envolvendo inúmeros outros políticos que estiveram liderando a luta pelo impeachment contra Dilma. Talvez o mais significante seja Aécio Neves, o candidato de centro-direita do PSDB derrotado por Dilma em 2014 e quem, como Senador, é um dos líderes entre os defensores do impeachment. Machado alegou que Aécio – que também já havia estado envolvido em escândalos de corrupçãorecebeu e controlou R$ 1 milhão em doações ilegais de campanha. Descrever Aécio como figura central para a visão política dos manifestantes é subestimar sua importância. Por cerca de um ano, eles popularizaram a frase “Não é minha culpa: eu votei no Aécio”; chegaram a fazer camisetas e adesivos que orgulhosamente proclamavam isso:

Evidências de corrupção generalizada entre a classe política brasileira – não só no PT mas muito além dele – continuam a surgir, agora envolvendo aqueles que antidemocraticamente tomaram o poder em nome do combate a ela. Mas desde o impeachment de Dilma, o movimento de protestos desapareceu. Por alguma razão, o pessoal do “Vem Pra Rua” não está mais nas ruas exigindo o impeachment de Temer, ou a remoção de Aécio, ou a prisão de Jucá. Porque será? Para onde eles foram?

Podemos procurar, em vão, em seu website e sua página no Facebook por qualquer denúncia, ou ainda organização de protestos, voltados para a profunda e generalizada corrupção do governo “interino” ou qualquer dos inúmeros políticos que não sejam da esquerda. Eles ainda estão promovendo o que esperam que seja uma marcha massiva no dia 31 de julho, mas que é focada no impeachment de Dilma, e não no de Temer ou de qualquer líder da oposição cuja profunda corrupção já tenha sido provada. Sua suposta indignação com a corrupção parece começar – e terminar – com a Dilma e o PT.

Neste sentido, esse movimento é de fato representativo do próprio impeachment: usou a corrupção como pretexto para os fins antidemocráticos que logrou atingir. Para além de outras questões, qualquer processo que resulte no empoderamento de alguém como Michel Temer, Romero Jucá e Aécio Neves tem muitos objetivos: a luta contra a corrupção nunca foi um deles.

* * * * *

No mês passado, o primeiro brasileiro ganhador do Prêmio Pulitzer, o fotojornalista Mauricio Lima, denunciou o impeachment como um “golpe” com a TV Globo em seu centro. Ontem à noite, como convidado no show de Chelsea Handler no Netflix, o ator popular Wagner Moura denunciou isso em termos similares, dizendo que a cobertura da mídia nacional foi “extremamente limitada” porque “pertence a cinco famílias”.

Atualização: Logo depois da publicação deste artigo, foi anunciado que o presidente interino Temer acaba de perder seu terceiro ministro para a corrupção menos de dois meses da tomada do poder: dessa vez, seu ministro do turismo Henrique Eduardo Alves, acusado na delação premiada de Machado de receber R$ 1,5 milhão em propinas de 2008 a 2014. Quando se toma o poder antidemocraticamente usando a “corrupção” como pretexto, em geral é uma má ideia encher sua equipe de criminosos (e ter o próprio novo presidente envolvido em múltiplos escândalos de corrupção).

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Glenn Greenwald

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