INÉDITO: PELA PRIMEIRA VEZ NÃO HOUVE ABERTURA DA CONFERÊNCIA NACIONAL: não haviam gestores ou conselheiros e sim agentes de segurança!

A CONFERÊNCIA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, sempre saudada como a festa da democracia, a instância máxima de deliberação do SUAS, teve início ontem, dia 5 de dezembro, como um grande festival de equívocos cometidos no evento de “não abertura” da Conferência.

 

 

 

 

 

 

 

 

Os participantes acompanharam o legítimo movimento de resistência e luta contra o desmonte do SUAS que vem sendo orquestrado desde o início do governo ilegítimo e golpista do Temer. E testemunharam um inédito vexame com relação ao debate exaustivo do Regimento da Conferência, onde já se pressentia os erros do Conselho Nacional de Assistência Social, e do grupo de relatores, na intenção de querer instalar as “novidades” na metodologia de uma Conferência Nacional (que tem a missão de salvaguardar o direito à Assistência Social, o SUAS) num contexto de golpe e de mudança de projeto político para o país, um projeto que acaba com direitos sociais, que desmonta o SUAS.

Neste afã, chegam as notícias da 11a. Conferência:

A 11a. Conferencia Nacional de Assistência Social não teve abertura oficial. Após o Regimento Interno, e, possivelmente sem coragem de enfrentar as legítimas manifestações, não foi instalada a Mesa de Abertura. Isso mesmo: nem os representantes do governo e nem do CNAS abriram oficialmente este evento de grande magnitude. Depois da Conferência Magna, proferida por Frei Beto, o Presidente do CNAS, Fábio Bruni, representante do MDS, anunciou um show musical, não declarou aberta a Conferência, não fez nenhuma menção aos conselheiros do CNAS e nem às delegações dos estados. Do mesmo modo, a Secretária Nacional de Assistência Social, Maria do Carmo Brandt Carvalho, não compareceu ao plenário para saudar os participantes, ficou na última fileira presenciando o desastre de seu governo ilegítimo e as consequências.  Exemplo seguido pelo Ministro Terra, que também não compareceu. Certamente avaliaram que não suportariam tantas vaias e a indignação generalizada pelo que vem realizando. No palco da Conferência, ao invés de gestores e conselheiros, seguranças para conter possíveis manifestações.

Efetivamente, no vazio dos organizadores e anfitriões nessa “não abertura” da 11a. Conferência Nacional, o evento foi aberto por um Ato político organizado por trabalhadores e usuários que tomaram a plenária munidos de cartazes, faixas e apitos, bradavam palavras de ordem em defesa do SUAS, da assistência social, da democracia, entrecortados por muitos “Fora Temer”. A manifestação interrompeu o debate do Regimento Interno, mas não impediu que o mesmo continuasse depois do Ato político. O SUAS tem que comemorar sua leal militância: o Ato foi marcante e demonstrou a força de quem constrói o SUAS e não aceita desrespeito e desmonte!

Também chamou atenção dos/as delegados/as desta Conferência a metodologia proposta para o debate e para as deliberações. Ao invés de transparência e agilidade, a proposta apresentada no Regimento Interno demonstrou a ausência de análise prévia das propostas e o engessamento do debate: não houve qualquer sistematização das deliberações das Conferências Estaduais e do DF, o que complica muito a tarefa de uma leitura qualificada das prioridades nacionais, sem qualquer sinal de avaliação de relatoria. A metodologia apresentada no Regimento Interno foi rejeitada pelos/as delegados/as da Conferência, porque não permitia alterações e nem aprimoramento das propostas advindas dos Estados e DF, mas apenas o “ranqueamento” das propostas. Além do que dificultava, e muito, a apresentação de propostas novas. Cada vez mais “inédito”, o Regimento Interno permitia moções com a exigência de 40% das assinaturas do montante de delegados inscritos. Uma evidente manobra para proteger o governo de moções como o corte orçamentário, o programa fisiologista Criança Feliz e as contrarreformas em curso. Toda esta “novidade” foi derrubada para que a Conferência possa desenvolver-se como sempre: plural, democrática e aguerrida.

Esse início de Conferência demonstra que vem mais desastres por aí e confirma o descaso que o governo golpista e seus representantes tem com a democracia e com os processos democráticos. É realmente desrespeitoso para com os conferencistas que a Secretária Nacional, o CNAS, o Ministro não tenham comparecido no palco para saudar delegados/as, convidados/as e observadores/as e vivenciar as manifestações legítimas. Afinal são estas autoridades que convocam a Conferência. Tais atos justificam  muitas moções de repudio ao final da Conferencia.

Frei Beto proferiu uma palestra magna analisando a conjuntura golpista enfatizando os compromissos do governo Temer e seu simulacro com o grande capital e os prejuízos disso tudo para as políticas publicas e para os direitos de todos os brasileiros. Frei Beto concluiu, conclamando a resistência e organização popular. Sua análise e os atos resistência comprovam que o golpe foi contra o povo e a população, os trabalhadores que devem reagir e reconquistar a democracia.

Viva o SUAS!

Estamos de olho!

Vai ter luta!

 

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por maissuas Postado em Post